O Caso dos jovens que agrediram o cachorro Orelha, resultando em sua morte tem estampado os jornais do Brasil por mais de um mês, vários meios de comunicação reportam cada desdobramento do ocorrido diariamente. O país todo se comoveu com essa atitude bárbara, decorrendo em protestos por todo território tupiniquim e na extrema sensibilidade que o país está tendo no momento à crimes contra os animais. Visivelmente há uma intensificação na veiculação de casos de violência contra animais em em jornais e telejornais devido à força deste tema no momento.
Porém, o mais estranho nisso tudo para mim é a ânsia da população por um posicionamento mais punitivo do estado contra esses menores. Eu não estou diminuindo a perversidade das ações dos jovens, acredito que suas atitudes deveriam ser punidas e corrigidas por seus responsáveis, e que sua crueldade à criação divina terá consequências no juízo final. Mas apesar disso, quando foi que um crime contra um animal se tornou mais hediondo que um crime contra um humano? Quando foi que você viu uma multidão fazer manifestação em razão das vítimas de ataques de animais?
Para esclarecer ainda mais meu ponto, vamos observar a “vítima” do crime. O cão Orelha tem direitos no Brasil, e privilégios que nem mesmo os humanos possuem. Os cães e gatos no brasil estão protegidos pela Lei Sansão (Lei 14.064/2020), que prevê reclusão de 2 a 5 anos ao seu agressor, isso implica que os maus-tratos contra esses animais é um crime inafiançável por autoridade policial de acordo com o Art. 322 do Código de Processo Penal. Somente um juiz poderá conceder liberdade provisória ou fiança para o indivíduo que for pego em flagrante por este crime.
Se ainda não fui claro, se não fossem menores, os jovens que atacaram o cachorro iriam encarar penas maiores que: Homicídio Culposo, Furto simples, Lesão corporal leve e lesão culposa. Isso mesmo, para o estado o indivíduo que tirou “sem querer” a vida de outro e sua presença na vida de seus familiares e dependentes, irá receber uma pena menor que um indivíduo que agrediu um cão. No caso do Orelha, um cão que não tinha dono (tornando-o propriedade de algum indivíduo), e que não tem nenhum dever para com o estado como nós, pagadores compulsivos de impostos.
Habitualmente, esse relativismo das leis acontece em razão do estado sobre o indivíduo conforme demonstrado por Rothbard no Livro A Anatomia do Estado:
“Podemos colocar à prova a hipótese de que o estado está majoritariamente interessado em proteger a si mesmo, e não os seus súditos, levantando a seguinte questão: qual a categoria de crimes que o estado persegue e pune mais intensamente — aqueles cometidos contra os cidadãos ou aqueles cometidos contra ele próprio? — compare a intensidade dedicada à perseguição de um homem que tenha atacado um policial com a atenção que o estado concede ao ataque a um cidadão comum.”
Um exemplo disso são os presos do 8 de janeiro, que enfrentam um encarceramento a anos por crimes não tipificados e sem o devido processo legal. Esse é um exemplo claro do que foi dito por Rothbard. As leis punem severamente indivíduos que vão contra o estado, enquanto crimes contra indivíduos, por mais hediondos que sejam, muitas vezes tem penas mais brandas.
Mas, os cães e gatos não fazem parte da classe política (o que é isso a revolução dos bichos de Orwell?), por que então as leis também privilegiam os animais então?
Em suma, nós, gado do estado, temos menos valor que um cão que nem se quer contribui para a existência do governo parasitário. Isso não é novidade, a razão de existirem leis esquizofrênicas como essa, é o grande ensaio que o estado faz com a população por meio do relativismo moral, conforme demonstrado por Molyneux em seu artigo [original]:
“A autoridade baseada em mentiras odeia a clareza e a objetividade – e a curiosidade – da filosofia racional. Curvar-se à autoridade da razão significa abandonar as mentiras que sustentam os poderosos.”
Os governos destroem civilizações por meio do poder político. A subversão das leis morais passadas por gerações é esfacelada a fim de romper o tecido social e entranhar na mente da população ainda mais o poder do estado nos indivíduos. Esse tipo de lei, e a comoção que isso gera nas multidões é a prova do sucesso do estado que a classe parasitária tanto busca. Uma demonstração da vitória do estado contra o indivíduo. O estado conseguiu vencer a razão, e instalar nos indivíduos que um animal vale mais que os humanos, estes que por sua vez fazem grandes manifestações, clamando por mais estado.
Essa é a razão final do estado, destruir o indivíduo, sugar toda sua produção, acabar com sua liberdade, dizer que ele tem menos honra que um animal. O estado é uma organização satânica que tem o propósito de escravizar todos os indivíduos, destruindo neste processo toda razão e moralidade cultivada por gerações, para perpetuar-se nas próximas gerações, sem jamais ser contestado.